20070108

Era uma vez...

Era uma vez uma menina que gostava de colher flores. Por onde passava, se via uma flor, aproximava-se, olhava para todos os lados e sorria. Dava uma volta e se ninguém estivesse a passar por ali, colhia a flor.
Todos os dias chegava a casa com os bolsos cheios de flores das mais variadas cores. Guardava-as no quarto, dentro de uma caixa de madeira, debaixo da cama. Ninguém sabia que esta menina guardava flores. Nem as amiguinhas da escola sabiam deste segredo. Nem a mamã nem o papá se apercebiam dos bolsos cheios de flores quando chegava a casa e corria para o quarto.
Tirava a caixa de madeira debaixo da cama e sentava-se no chão. Abria a caixa e ficava a olhar para todas as flores que já tinha conseguido juntar. E preparava-se para depositar as que tinha colhido nesse dia. Agarrava numa de cada vez e voltava a sentir o seu cheiro. Depois olhava para ela e contava-lhe um segredo.
Cada flor guardava um segredo desta menina e, por isso, ela guardava cada flor que colhia. Os segredos quem sabe o que são! Só a menina! E as flores! Eram tantos segredos que deixaram de caber numa só caixa de madeira e debaixo da cama foram-se acumulando caixinhas, repletas de flores e de segredos. De cores e cheiros, cores que escureciam á medida que as flores secavam, e cheiros que se misturavam e se perdiam. Apenas os segredos se mantinham intactos. Não podiam fugir porque estavam presos às flores.
Sabias que as flores são os melhores guardiães de segredos? Quando se conta um segredo a uma flor, ela guarda-o para sempre. E esse segredo só se perde quando se perde a flor.

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